Sinto falta do cheiro da tinta

Ontem ganhei de presente o livro “Nossa cultura...ou o que restou dela”, de Theodere Dalrymple (pseudônimo de Anthony Daniels), psiquiatra e ensaísta britânico. Aproveitei que estávamos na Livraria Cultura do Conjunto Nacional – na verdade eu fui lá com essa finalidade – e comprei o livro “Condenado à morte”, do jornalista Ricardo Gallo. 


Livros: Nossa cultura... ou o que restou dela de Theodore Dalrymple e Condenado à morte de Ricardo Gallo.

Comento o caso porque havia tempos que não me locomovia até uma livraria física. Desde que adquiri o Kobo Glo tenho comprado apenas livros em formato digital. O amigo leitor não me entenda mal, sempre fui conservador no tocante aos meus livros. Sempre os preferi impressos, arrumados na estante, ostentando-os para quem quer que me visitasse.

No entanto, desde que vim morar no Estado de São Paulo, tive que me acostumar com espaços cada vez menores. Apartamentos e quitinetes nãos costumam ter espaço para estocar uma coleção, mesmo pequena, do que quer que seja. A maioria dos livros que eu comprava – na verdade todos eles – eram enviados para a casa da minha mãe no interior da Bahia, depois de lidos. O problema é que não há mais espaço lá. Meu antigo quarto está abarrotado, alguns outros cômodos da casa começavam a ficar sem espaço. E olha que a casa é grande. Minha mãe me deu um ultimato: “a próxima remessa de livros que você mandar para cá eu queimo!”


EXPERIMENTANDO O KOBO



Resolvi dar uma chance para os formatos digitais. Até então eu só conhecia o padrão PDF. Pesquisei um pouco e acabei comprando o Kobo (da Livraria Cultura). Descobri o epub, e outros formatos, me acostumei com a tecnologia, gostei de poder comprar um livro no meio da madrugada quando aquela insônia batia. É só clicar em comprar e o ebook é carregado no meu ereader automaticamente, a hora que eu quiser.

Acontece que os dois livros, citados no primeiro parágrafo, foram lançados, apenas, em formato físico. E agora? O que fazer? Fui com minha namorada a uma livraria física, coisa que não fazia há tempos.

Eu parecia criança no parque de diversões. Olhava cada capa, cada nova edição, cada lançamento; folheava as revistas em quadrinhos, apontava os livros que eu havia comprado, fazia cara de espanto quando encontrava um livro que eu não tinha.

Ela me presenteou com um dos livros e eu comprei o outro. Saí da livraria doido para chegar em casa para poder manusear minhas novas aquisições. Ter o livro nas mãos, poder folhear, sentir o cheiro de tinta (sei que parece clichê), poder empilhá-los. É uma experiência diferente, com outros sentidos envolvidos.

Não reclamo do formato digital, tem me servido muito bem, principalmente pela questão do espaço para guardá-los. Mas percebi que ainda sinto falta do cheiro da tinta.


José Fagner Alves Santos

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