Não existe fórmula para transformar o blog num negócio

É muito comum, quando se começa a blogar, procurar informações em metabloggers (blogs que ensinam como fazer, manter e lucrar blogando), afinal, todo mundo que aprender com quem faz a internet acontecer.

Um fato interessante, que eu venho observando há algum tempo, é que os metabloggers em língua portuguesa se resumem a replicar, em versão traduzida, o conteúdo de blogs já consagrados em outros países. Até aí, nenhuma novidade. Traduzir também é uma forma de produzir conteúdo. Muitas pessoas não têm conhecimento de outras línguas e esse serviço acaba sendo muito útil.


Foto: Darren Deans
Nota de cinquenta reais por cima da nota de um dólar

No entanto, tentei algumas vezes elevar o nível da discussão na seção de comentários dos já citados metabloggers. O resultado foi desanimador. A maioria ignora ou responde de forma genérica. Se o comentário for de senso comum, as chances de obter uma respostas são bem maiores.

Não deixe comentários longos se quiser respostas

Se o seu comentário for longo, pode ter certeza que nem se darão ao trabalho de ler.

Por que motivo estou perdendo meu tempo para comentar sobre este assunto? Muito simples: o que ficou claro depois de vários experimentos nesse sentido, foi que, ao contrário do que se grita aos quatro ventos, nada substitui o jornalismo profissional. O jornalismo cidadão é uma coisa linda, extremamente útil, mas não substitui o jornalismo profissional e de qualidade. Os blogueiros estão fazendo sucesso e ganhando dinheiro com seus respectivos blogs, atendem a uma demanda específica, mas, nem de longe, substitui a necessidade do jornalismo profissional.

Não nego o valor dos blogs não jornalísticos. Eles possuem sua função. Ajudam muitas pessoas, resolvem muitos problemas, mas não suprem a necessidade social da função jornalística.

Que fique bem claro: o jornalista pode usar qualquer plataforma para se comunicar. Não importa se ele escreve para um blog, jornal, revista, TV, rádio ou se publica por meio de sinais de fumaça. A questão não é a plataforma, mas o uso que se tem feito dela.

Nem passou pela minha cabeça dizer que o uso não jornalístico dos blogs está errado. Eles têm sua função. Só digo que determinados tipos de assuntos e debates serão melhor tratados por quem recebeu treinamento para isso. É claro que os jornalistas podem errar. Na verdade, erramos muito, mas posso garantir que ainda é mais seguro confiar num jornalista do que num boato espelhado pelas redes sociais. Dos males, o menor.

Faça o teste você mesmo

Voltando ao assunto: tentem elevar o nível do debate nos comentários destes blogs e vejam o que acontece. Muitos fazem pose de profundos conhecedores dos meios digitais.Garantem te fazer um profissional bem sucedido no mundo digital. Dizem que você vai trabalhar em casa recebendo trocentos reais diários.

Se houvesse fórmulas comprovadas o jornalismo não estaria passando pela atual crise. Era só contratar um desses “especialistas” para servir de consultor e os problemas econômicos de todas as empresas de comunicação estariam resolvidos.

Pense nisso.

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